Sobre mim
Entre memórias, afetos e palavras
Nasci na Fazenda Carmo em São Sebastião do Passé, no Recôncavo Baiano, em 15 de junho de 1972. Sou filha de Juliêta do Nascimento dos Santos e José dos Santos.
Comecei a estudar aos oito anos, em Salvador, onde vivi durante algum tempo. A profissão de meu pai — primeiro tratorista e, mais tarde, carreteiro — fazia com que nossa família mudasse de cidade constantemente. Conheci e morei em diferentes lugares, entre eles São Sebastião do Passé, minha cidade natal, e Ilhéus, cidade de origem da minha mãe.
Talvez tenha sido justamente essa infância entre diferentes lugares e histórias que começou a formar a escritora que eu viria a ser.
As histórias que vieram da minha avó
Minha avó paterna, Izabel, foi uma das pessoas que mais alimentaram minha imaginação. Era uma exímia contadora de histórias e costumava reunir seus muitos filhos, filhas, genros, noras e netos ao redor de uma fogueira, em noites de lua, para cantar cantigas de roda e contar histórias encantadas.
Eu me deleitava ouvindo aquelas histórias.

A convivência com minha avó, somada às experiências de conhecer diferentes cidades e pessoas, despertou em mim uma sensibilidade especial para observar, imaginar e transformar sentimentos em palavras. Foi assim que comecei a escrever poesias, contos e, mais tarde, romances — alguns ainda guardados à espera de publicação.
Existe uma história muito especial que sempre me acompanha: foi minha própria avó Izabel quem fez o parto da minha mãe.
Minha mãe estava com oito meses de gestação e ainda ajudava a família da sogra na fabricação artesanal de farinha de mandioca. Foi na casa de farinha, com a ajuda da minha avó, que eu vim ao mundo.
Talvez eu tenha nascido cercada de farinha, histórias e afetos porque, de alguma maneira, é exatamente disso que minha escrita continua sendo feita.
A escrita que me acompanhou
Graduei-me em História pela Faculdade de Tecnologia e Ciência da Bahia e especializei-me em Gestão Educacional Integrada pela Faculdade de Minas Gerais Afonso Claudio.
Mas a escrita sempre encontrou um caminho para permanecer presente.

Em 1998, fui uma das estudantes premiadas em minha cidade em um concurso promovido pelo Banco do Brasil em comemoração aos 180 anos da instituição.
Em 1999, escrevi e atuei, ao lado do escritor e diretor teatral Fernando Anunciação, na peça Julgamento no Inferno.
Em 2001, participei, junto com outros poetas de São Sebastião do Passé, da publicação do livro de poesias Coletânea de Poetas Sebastianenses.
Em 2009, novamente em parceria com outros poetas, participei da publicação de Janelas da Alma.
Um intervalo necessário
Depois desses primeiros caminhos na literatura, fiz uma pausa na escrita.
Foi um período em que precisei olhar para outras dimensões da vida e, ao mesmo tempo, dedicar-me ao projeto mais importante que poderia viver: ser mãe de Maria Helena.
A escrita, porém, nunca deixou de existir dentro de mim. Apenas ficou em silêncio por algum tempo.
O retorno às histórias
Em 2022, retornei às minhas atividades como escritora.
Dessa vez, trazia comigo não apenas a imaginação, mas também histórias reais, relatos, observações e experiências que me fizeram olhar para uma questão dolorosa vivida por muitas mulheres: os relacionamentos abusivos e a dependência emocional.
Foi desse encontro entre realidade e ficção que nasceu Noites sem John.
O primeiro passo para escrever o livro aconteceu quando uma pessoa do meu convívio me contou tudo o que sofria em seu relacionamento e, mesmo diante de tanto sofrimento, recusava-se a deixar o parceiro.
Aquela história ficou comigo.
Comecei então a pensar nas tantas mulheres que vivem situações semelhantes, muitas vezes em silêncio. E percebi que algumas histórias precisam ser contadas não apenas para entreter, mas também para provocar reflexão.
Noites sem John
Publicado pela primeira vez em 2025 e lançado em segunda edição em 2026, Noites sem John acompanha o drama de Elenor, uma mulher que se perde dentro de um relacionamento que pouco a pouco a leva ao limite.
O romance nasceu da ficção, mas carrega em suas páginas ecos de histórias reais.
Por isso, além da narrativa de Elenor, o livro traz os “Recortes da Realidade”, espaço dedicado a depoimentos de mulheres e às experiências que inspiraram parte da obra.
Escrever Noites sem John foi também uma forma de dar espaço àquilo que muitas vezes permanece escondido atrás das portas, dos silêncios e das aparências.
E a história continua…
Hoje, sigo escrevendo.
Em 2026, tive a alegria de ser homenageada pela Flipassé, em reconhecimento à minha trajetória e à minha contribuição, ainda que singela, para a literatura e a cultura de minha cidade. Foi ainda mais significativo por marcar o encontro da menina que amava ouvir as histórias contadas por sua avó com a mulher na qual me tornei, que encontrou na escrita uma maneira de se expressar.

Depois de tantos caminhos, mudanças, silêncios e recomeços, continuo acreditando que algumas histórias simplesmente não aceitam ser esquecidas.
Tenho um novo livro em preparação, com previsão de publicação para dezembro de 2026, além de outros dois projetos literários previstos para chegar aos leitores até junho de 2027.
Ainda há muitas histórias para contar.
E talvez seja essa a parte mais bonita da escrita: a história nunca termina quando colocamos o ponto final em um livro. Ela continua vivendo em quem lê.